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DROGAS

Implicações do uso de drogas no matrimônio e no relacionamento sexual

A presença do consumo de drogas pode comprometer um relacionamento conjugal, a partir de vários fatores:

1.Gravidade da Dependência

Com o avançar da dependência, o comportamento de consumo vai invadindo áreas muito caras para o indivíduo. Ele sente sintomas de desconforto intensos quando fica sem a droga e não suporta viver sem os seus efeitos prazerosos. Assim, vai aos poucos trocando coisas importantes do relacionamento pelo consumo.


2. Tolerância do Parceiro

Casais onde o outro parceiro é mais esclarecido, tendem a lidar melhor com o problema. As mulheres costumam ser mais compreensivas que os homens, que com mais facilidade abandonam o lar.


3. Outros Fatores

História pessoal do casal, presença de filhos, repercussões sociais e financeiras do consumo, podem colaborar para a manutenção ou para a resolução dos problemas relacionados ao consumo de drogas dentro da família.
O desempenho e satisfação sexual dependem da substância utilizada e da intensidade deste consumo. No geral, nos casos mais graves de dependência por qualquer substância, o surgimento de conflitos domésticos, depressões secundárias e outras complicações, por si só, pioram qualquer relacionamento sexual. O álcool tem ação tóxica direta sobre a inervação do pênis e leva o indivíduo à impotência sexual. Outras drogas, como a cocaína e a anfetamina, diminuem o desejo sexual em fases tardias. Seu mecanismo é incerto e parecer ser reversíveis. A maconha é capaz de reduzir a produção de espermatozóides, também de modo reversível.


Quais são as situações que mais induzem os jovens a usarem drogas?

As pesquisas mostram que, para a maior parte das crianças, os períodos vulneráveis são os de transição, quando passam de um estágio de desenvolvimento para outro. Mas, a exposição a riscos pode começar mesmo antes de a criança nascer; esta é uma das razões pelas quais as mães são advertidas a não usar drogas durante o período de gestação.
A primeira transição para as crianças é quando elas deixam a segurança da família e entram na escola. Quando avançam do ensino fundamental para o ensino médio ou superior elas freqüentemente enfrentam desafios sociais, como por exemplo, aprender a lidar com um grupo maior de colegas. É nesta fase, início da adolescência, que as crianças podem encontrar o uso da droga pela primeira vez.
Mais tarde, quando entram no colegial, os jovens enfrentam desafios psicológicos, sociais e educacionais, na medida em que se preparam para o futuro, sendo que estes desafios podem levar ao uso ou abuso de álcool, tabaco ou outras drogas. Quando os adultos jovens entram na faculdade, casam-se ou começam a trabalhar, passando a enfrentar, novamente, novos riscos em relação ao uso de álcool e outras drogas no seu novo ambiente adulto. Como os riscos aparecem em cada fase de transição, desde a infância até se tornarem adultos, os programas de prevenção devem ser dirigidos a cada fase.


A importância da família

A família é fundamental para o sucesso do tratamento da dependência química. Pensar que tudo se resolverá a partir de uma internação, ou após algumas consultas médicas, é uma armadilha que não poupa a mais sincera tentativa de tratamento.
A dependência é um problema que se estruturou aos poucos na vida da pessoa. Muitas vezes, levou anos para aparecer. Muitas coisas foram afetadas: o desempenho escolar, a eficiência no trabalho, a qualidade dos relacionamentos, o apoio da família, a confiança do patrão, o respeito dos empregados. Como esperar, então, que algo que há tempo se faz presente na vida de alguém, e que lhe trouxe tantos comprometimentos, desapareça de repente? Quem decide começar um tratamento se depara com os sintomas de desconforto da falta da droga e, além disso, com um futuro prejudicado pela falta de suporte que o indivíduo perdeu ou deixou de adquirir ao longo da sua história de dependência.
Todos podem ajudar: o patrão, os amigos, os vizinhos, mas o suporte maior deve vir da família. As chances de sucesso do tratamento pioram muito quando a família não está por perto.
Por que a família é tão importante?

O dependente muitas vezes não tem a noção completa da gravidade do seu estado. Por mais que deseje o tratamento, entende que as coisas serão mais fáceis do que imagina. Por conta disso, se expõe a situações de risco que podem levá-lo de volta ao consumo.
O dependente sente a necessidade de ‘se testar’, expondo-se a situações de risco para ver se seu esforço está valendo a pena. A família deve ajudá-lo estabelecendo, com o dependente, regras que ajudem a afastá-lo da recaída.Todo o tratamento começa com um mapeamento dos fatores e locais de risco de recaída. A família deve ajudar o dependente a evitar esses locais. Isso não deve ser feito de modo policial. Não se trata de fiscalizar. Trata-se, sim, de chamá-lo à reflexão e à responsabilidade sempre que esse, sem perceber ou se testar, se expuser ao risco da recaída.
Há dificuldade em se relacionar com as pessoas, agüentar as frustrações, saber esperar a hora certa para tomar a melhor atitude. A autocrítica do dependente, por vezes, é dura consigo mesmo. Deixa um clima depressivo e de fracasso no ar. Isso pode fazer com que os planos para o tratamento sejam deixados de lado.
A família, no tratamento, mostra que o diálogo ainda existe. A rotina da dependência química traz ressentimentos para todos. Muita roupa suja vai ser lavada. No entanto, é preciso entender que se trata de uma doença. Em um primeiro momento há motivação do dependente para a mudança, sendo que o apoio da família para mantê-lo motivado é importantíssimo. Isso demonstra que a família ainda é capaz de se unir, conversar e resolver seus problemas. Quando o momento de ir para o tanque chegar, todos estarão fortalecidos e o assunto será tratado com mais ponderação e menos emoção.
A família já tinha problemas muito antes da droga aparecer. Famílias com problemas podem se constituir num fator de risco para o aparecimento do consumo abusivo de drogas entre seus membros. Não que a desestrutura seja a única causa ou a causa mais importante, mas pode contribuir. Desse modo, o tratamento da dependência passa pela avaliação da família e pela necessidade de seus membros também procurarem orientação e tratamento. Estudos mostram que vítimas de maus tratos, a presença de consumo problemático de drogas entre os mais velhos, violência, ausência de rotina familiar e a dificuldade dos pais em colocar limites nos filhos aumenta o risco do surgimento de dependência entre os seus membros. Desse modo, a cura passa a ser responsabilidade não só do dependente, mas de todos que o cercam.
O dependente sente dificuldades em organizar novas rotinas para sua vida sem as drogas. Precisa de apoio para superar as dificuldades e estabelecer um novo modo de vida sem drogas. Vários fatores interferem nessa tarefa. A pessoa pode estar fora do mercado de trabalho há muitos anos, desatualizada e sem contatos que lhe proporcionem voltar em curto prazo. Pode ter saído da escola muito jovem e agora está pouco qualificado para um bom emprego.


O que pode atrapalhar a participação da família:

Alguns problemas aparecem no momento em que a família resolve participar do tratamento:

a. O dependente sabe mais sobre drogas do que a família. A família é pouco informada sobre a questão das drogas, em especial as drogas proibidas (ilícitas). A pouca informação que a família possui vem dos meios de comunicação e de outras pessoas. Geralmente são distorcidas e sensacionalistas. O assunto é tratado de modo assustador. As drogas são apresentadas como algo demoníaco. Isso deixa os pais e filhos longe de um entendimento. Cria-se um clima de guerra, tudo é muito terrível e ameaçador. A família deve, primeiro, se informar. Além disso, não deve ter medo de dizer ao dependente que não entende do assunto. Afirmar algo sem saber o que se está dizendo, aumenta ainda mais a distância e a chances de diálogo.
b. A família fica sem saber qual a sua função. As drogas provocam mudanças importantes na vida familiar. Pais estão acostumados a serem os mentores dos filhos. De repente, os filhos entram num campo desconhecido. Passam a conhecer coisas que os pais não têm a mínima noção. Quando o dependente é um dos pais, os filhos vêem-se em uma situação igualmente confusa: como interferir na vida daquele que os criou e ensinou como as coisas deveriam ser? Sem saber o que fazer com sua autoridade (abalada), muitos optam pelo autoritarismo. Isso só deixa o relacionamento ainda mais deteriorado.
c. A família culpa o dependente ou se culpa. Apontar culpa é exercer um julgamento. O veredicto de um julgamento é uma conclusão. Não precisa ser interpretado, entendido. Deve ser cumprido, e pronto. Não há mais o que fazer.
Esse é um grande erro que a família comete. Se os pais ou os filhos se culpam ou culpam alguém pelo que fizeram ou deixaram de fazer no passado acabou-se a possibilidade de seguir adiante. Ninguém tem culpa da situação, mas todos podem assumir responsabilidades para solucionar o problema! A presença desse espírito por parte de todos durante do tratamento melhora as chances de recuperação do dependente. Além disso, é uma grande oportunidade para sanar as dores e os ressentimentos que se acumularam debaixo do tapete e que agora, apesar de volumosas, ninguém quer ver.
d.Falta uma figura neutra. Por tudo o que já foi dito anteriormente, a análise do problema pela família e pelo dependente encontra-se distorcida. Muitas vezes pais e filhos (não importando quem seja o dependente) confundem a inabilidade de ambos em lidar com o problema, com as dores e ressentimentos que rolaram no passado.
Qualquer família erra, deixa de fazer ou mesmo traumatiza seus membros. Por outro lado, também lhe dá habilidades e compensações para minimizar ou superar essas perdas. Esse não é um caminho frutífero. Se a conversa não é mais possível, ou se só é possível dessa maneira, é sinal que chegou a hora de buscar uma figura neutra. Ela pode ser o profissional capacitado que se incumbirá de dar o tom do tratamento e ouvirá os dois lados.
Antes de chegar ao tratamento, outras figuras neutras importantes podem ser evocadas para facilitar o processo: um tio respeitado por todos, um amigo, o líder da comunidade, o padre, o pastor, enfim pessoas que gozem da confiança de todos os membros da família.


“Errar, errar de novo, errar melhor”

A família – no tratamento – significa buscar um novo elo entre os seus membros. Um novo casamento, uma nova criação dos filhos, uma nova imagem do pai e da mãe. O caminho novo a seguir é incerto e por isso sujeito aos erros.Muitos erros surgirão. Impossível não errar dentro de uma situação tão complexa como essa. Aliás, só não cometem erros aqueles que nada tentam. A todo instante tais erros precisam ser conversados, discutidos a fundo entre os membros da família e a equipe profissional que os assiste. Tratar o dependente não se resume somente à busca pela abstinência. É também a construção de um novo estilo de vida para o dependente e para a família.

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